domingo, 26 de junho de 2011

Ponho minhas mãos ossudas à ligar a cafeteira. Arrasto a cadeira do conjunto de mesa envelhecido e sento-me perto da janela, era em torno das 5:34 da manhã, não havia nada além do som do café sendo feito e do silêncio. Aqueles mesmos afazeres, os mesmos sons e o mesmo cenário. Vejo minha vida passar como num filme antigo, daqueles que nunca fizeram sucessos, de desinteresse público. Sirvo-me do pouco café que fiz, e lendo as folhas do jornal em cima da mesa de madeira, ligo o rádio velho para servir de trilha sonora.

sábado, 18 de junho de 2011

-Não pule.-disse ele, parado na cobertura do último andar do edifício.
-O que faz aqui?-disse ela, olhando para trás e quase perdendo o equilíbrio.
-Impedindo você de cometer..-parou. olhou ao seu redor e continuou-um erro.
-E porque se importa?
-Não sei.
-Então me deixe sozinha.
-Por que você perdeu sua fé?
-Só estou cansada de esperar por algo que nunca vem.
-Mas eu estou aqui agora.
-Você..-Ela não conseguiu terminar a frase. Ele a tinha convencido de alguma forma.
-Me dê sua mão, e vamos sair daqui.-disse ele.
-Se eu pulasse, o que iria fazer?
-Eu pularia também.
-Mas isso seria loucura.
-Você pularia porque perdeu as esperanças, eu pularia porque não conseguiria viver sem você.
(Silêncio)
-Me abraçe.-disse ela, apertando-o e deixando lágrimas percorrer em seu rosto.
-Vou leva-la para casa.

domingo, 12 de junho de 2011

E nessa sala vazia, sem cheiro e sem graça o único barulho que reina é o coração palpitante dela, batendo com força no peito, reabrindo as feridas que um dia - talvez- possam cicatrizar.
 Tem sido dias difíceis. E aquelas folhas de papel em branco do outro lado do quarto em cima da escrivanhinha, esperando para que eu mergulhe a caneta na tinta preta e escreva de cada recordação; Mas estou prostada aqui, nesse chão frio e úmido do açoalho ao lado do sofá desbotado cor de café, lembrando de como doeu, como ainda dói.